Os genéricos da fama

sexta-feira, 18 de junho de 2010 às 12:16
Por Rafael Carvalho

Eles lotam casas de show, são aclamados pelo público e ainda recebem o carinho dos fãs


Lotar uma casa de shows não é mais tarefa de uma banda famosa, hoje os artistas covers conseguem o feito e ainda arrancam gritos do público. Foi assim no dia 27 de abril, na casa noturna Kazebre, localizada na Zona Leste de São Paulo, onde a banda Sete Cidades, cover da extinta banda Legião Urbana, tocou os sucessos do grupo brasiliense.

Durante o show era fácil ouvir os gritos da platéia chamando pelo nome de Renato Russo, ex-vocalista do grupo Legião Urbana, falecido em 1996. As músicas tocadas de maneira fiel faziam com que o público presente pudesse ter a sensação de que realmente estavam assistindo ao show da banda verdadeira.

O cover é o artista que apenas imita o original, sem necessariamente ser parecido com ele. Esses artistas tentam reproduzir o trabalho do profissional original da forma mais fiel possível. É uma fama diferente, já que sempre será ligada à outra personalidade.

A banda Sete Cidades é cover do Grupo Legião Urbana há 5 anos. O vocalista do grupo, Dimas Borba, 33, possui um timbre de voz muito parecido com o de Renato Russo. Borba explica que em nenhum momento quer ser confundido com o vocalista original e nem enganar os fãs. “Seria muita prepotência querer ser os verdadeiros. O que talvez agente sinta, seja um pouco da energia do público que a Legião Urbana devia sentir”, diz.

Porém, nem sempre os covers têm a intenção de apenas homenagear os artistas originais. Thiago Rodrigues, 22 anos, foi integrante de um grupo cover da banda Mexicana RBD por 4 anos. Rodrigues conta que passou a se vestir como os ídolos durante todo o tempo, além de falar em espanhol e manter os mesmos hábitos dos integrantes da banda original. Chegou a tentar o suicídio. O ex-cover diz que ser famoso usando a imagem de outra pessoa fez com que ele perdesse sua personalidade, além de seu convívio social e profissional.

Segundo o Psicoterapeuta, Fabiano Bonalumi imitar constantemente outra pessoa não afeta a personalidade, já que ela já está formada, porém o que pode haver é uma mistura de papéis. “O artista cover pode incorporar novos gostos aos seus gostos pré-existentes. Cabe ao artista saber lidar com a profissão, sabendo separar da melhor forma possível a vida pessoal da vida profissional” diz.

Com 7 anos de existência, a banda Eletrix Oasis Cover, cover do grupo Inglês Oasis, corre o Brasil com shows sempre lotados. Nas apresentações, o vocalista da banda Álvaro Rodrigo Benega, 33, se veste como o vocalista da banda original, além das roupas, os gestos e a maneira de cantar também são copiados. Para Benega é tudo profissionalismo e é esse conjunto que faz o show. “Nunca achamos que somos o original, temos consciência de que fazemos um trabalho que envolve, música e teatro”, explica.

Existem alguns fãs que não sabem fazer a distinção entre a Existem alguns fãs que não sabem fazer a distinção entre a banda cover e a original. Carolinie Alemoine, 19 anos, é fã do grupo Legião Urbana, , porém era criança quando a banda ainda existia. Carolinie diz que o grupo cover, Sete Cidades, é como o verdadeiro, já que ela não teve a chance de conhecer a banda original. “Quando vou ao show da banda cover, sinto como se eu estivesse em um show da Legião Urbana, para mim são eles no palco. É tudo igual”, diz.

Para o psicoterapeuta, Fabiano Bonalumi, fãs que não conseguem diferenciar uma banda de outra, sofrem de alguma patologia psíquica e precisam de tratamento apropriado. “Não estamos falando, aqui, de um comportamento normal de um ser humano psicologicamente saudável. Estas pessoas necessitam de tratamento psicológico ou, até mesmo, psiquiátrico”, explica. Bonalumi, diz ainda que a impossibilidade de possuir uma relação mais próxima com a banda original, faz com que os fãs busquem nas bandas covers satisfazer seus anseios.

O vocalista da banda Sete Cidades, Dimas Borba, explica que os fãs sabem exatamente o que esperar da banda Sete Cidades quando vão as apresentações.

Álvaro Benega, vocalista da banda cover do Oasis, diz que muitas pessoas acham que sua personalidade é a mesma do vocalista original e que os problemas que a banda verdadeira tem com a mídia são os mesmo da banda cover. “É freqüente ouvir de outros músicos que tocam com a gente de que achavam que nós éramos arrogantes e brigões, mas quando nos conhecem, percebem que é o contrario”, fala.

Os ingressos para o show de uma banda cover custam em média 10 vezes menos do que para a banda original. Para Juliano Medeiros, 23, fã do grupo Oasis, o preço também é umas das razões que levam os fãs aos shows das bandas covers, já que nem sempre é viável ir ao show original. “Vou ao show de várias bandas covers, na maioria de grupos internacionais. Quando as originais vêem ao Brasil é muito caro, já a cover está sempre aqui e pago pouco, mas sei diferenciá-las”, diz.


Banda Sete Cidades reunida antes do Show


Fotos: Divulgação

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